Estudo publicado na revista Nutrition Journal concluiu que o aumento das concentrações de vitamina D (25-OHD) pela suplementação de vitamina D3 levou à redução de massa de gordura corporal em mulheres com sobrepeso e obesidade.
Trata-se de um estudo duplo-cego, randomizado, controlado por placebo, em que foram avaliadas 77 mulheres, com idade média de 38 anos (± 8,1 anos), índice de massa corporal (IMC) de 29,8 kg/m2 (± 4,1). As participantes foram aleatoriamente distribuídas em dois grupos: aquelas suplementadas com vitamina D3 (colecalciferol, 25 mcg/dia) e um grupo placebo.
A intervenção foi realizada durante 90 dias e foram feitas aferições de peso, altura, cintura, quadril, massa de gordura corporal por bioimpedância elétrica, níveis de 25-OHD e paratormônio (PTH intacto, iPTH) e avaliação da ingestão alimentar antes e depois da intervenção. O paratormônio é um hormônio produzido pelas células principais da paratireoide, em que sua secreção é regulada pelo nível plasmático de cálcio, caindo com o aumento das concentrações de cálcio e aumentando quando o cálcio está diminuído.
Os níveis séricos de 25-OHD aumentaram significativamente no grupo suplementado em comparação com o grupo placebo (p < 0,001). As concentrações de iPTH foram reduzidas pela suplementação de vitamina D3, indicando que houve melhor absorção de cálcio. Além disso, a suplementação com vitamina D3 causou uma diminuição estatisticamente significativa na massa de gordura corporal no grupo suplementado com vitamina D3 em comparação com o grupo placebo (-2,7 ± 2,1 kg vs -0,47 ± 2,1 kg, p < 0,001). No entanto, o peso corporal e a circunferência da cintura não se alteraram significativamente em ambos os grupos.
“Evidências sugerem que o cálcio e a vitamina D desempenham um papel importante na regulação da massa corporal gorda. Os dados indicam que a vitamina D pode aumentar a massa magra e inibir o desenvolvimento dos adipócitos. Esses efeitos da vitamina D podem ser mediados pela 1,25 dihidroxivitamina D3 ou através da supressão do PTH”, observam os autores.
“O presente estudo demonstra que a suplementação com 25 mcg por dia de vitamina D3 durante 90 dias em mulheres com sobrepeso/obesidade diminui a massa de gordura corporal, mas não afeta o peso corporal e circunferência da cintura. Outras investigações devem ser realizadas para saber se a vitamina D pode desempenhar um papel na regulação da composição corporal da população em geral”, concluem.
EXPLICANDO:
A vitamina D é um grupo de pró-hormônios lipossolúveis, sendo que possui duas formas principais que são: vitamina D2 (calciferol) e vitamina D3 (colecalciferol). Esta última é produzida quando há a exposição da pele à luz solar, mais especificamente, à radiação ultravioleta B.
Esta vitamina possui importante função na absorção de cálcio, sendo, portanto essencial no desenvolvimento dos ossos e dentes, porém quando em níveis muito altos, pode promover a reabsorção óssea; atua no sistema imune, no coração, no cérebro e na secreção de insulina pelo pâncreas.
Existem raros alimentos que são naturalmente fontes de vitamina D, e em vários países, sua ingestão provém de produtos fortificados como: leite, leite de soja e cereais. A dose recomendada por dia para crianças e adultos de até 50 anos é de 5 mg/dia (200 UI/dia). Já em pessoas de 51 a 70 anos de idade, a dose aumenta para 10mg/dia (400UI/dia) e, 15 mg/dia para idosos acima de 70 anos de idade. Dependendo do local que a pessoa more, há épocas do ano em que a exposição ao sol é insuficiente, sendo assim, a pessoa deve incluir boas fontes de vitamina D na sua dieta.
A deficiência de vitamina D (hipovitaminose D) pode ser em consequência de uma inadequada ingestão desta com insuficiente exposição aos raios ultravioletas; devido à desordens que limitem sua absorção; condições que dificultam a conversão de vitamina D em metabólitos ativos; em raras ocasiões, por desordens hereditárias. Essa escassez pode resultar em diversas desordens nos ossos, como:
- Raquitismo: é uma doença infantil que se caracteriza por crescimento deficiente e anormalidades nos ossos longos. É comum acontecer em fetos, quando a mãe possui deficiência de vitamina D;
- Osteomalácia: esta desordem é exclusiva de adultos e caracteriza-se pela fraqueza muscular próxima e fragilidade óssea.
- Osteoporose: é quando há uma redução da massa óssea, sendo que os ossos passam a ser mais frágeis.
Além das desordens citadas anteriormente, a deficiência da vitamina D pode estar relacionada à suscetibilidade a diversas doenças crônicas como: tuberculose, câncer, pressão alta, esclerose múltipla, depressão e esquizofrenia.
Casos de hipervitaminose D são muito raros. Quando ocorrem é devido à erros manufatureiros e industriais. A longa exposição ao sol não causa excesso dessa vitamina. Alguns dos sintomas causados pela intoxicação por vitamina D resultam da hipocalcemia causada pelo aumento da absorção intestinal de cálcio; pode causar também: pressão alta, perda de apetite, náuseas e vômito. Por conseguinte, há uma excessiva produção de urina, sede elevada, fraqueza, nervosismo e, às vezes, insuficiência renal.
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