quarta-feira, 30 de maio de 2012

OBESIDADE E SÍNDROME METABÓLICA - Estratificação do Risco Cardiovascular.





Uma mulher de 33 anos procura seu médico com queixa de ganho de 12 kg nos últimos 12 meses, após sua segunda gestação. Refere que tem preferência por doces, não faz lanches, passa o dia trabalhando e come mais à noite, quando chega em casa. É sedentária e nega tabagismo. Gesta 3 para 3 e teve depressão pós-parto na sua segunda gestação, mas não nessa última. Sua mãe é diabética e seu pai morreu aos 57 anos de infarto agudo do miocárdio. Sua irmã tem hipotireoidismo. Ao exame: peso 89kg, estatura 155 cm, PA 140 x 85 mmHg, cintura 97 cm, quadril 103 cm, tireóide discretamente aumentada, elástica, firme, heterogênea. Presença de acantose nigricans em axila e pescoço; estrias esbranquiçadas em abdome, que ela afirma que apareceu após a gestação. Traz os seguintes exames: glicemia 102 mg/dl; colesterol total 225 mg/dl; triglicerídios 188mg/dl; HDL 33mg/dl; TSH 2,2 mU/l.

Análise do Caso
Mulher jovem, multípara, obesidade grau 2 (IMC=37 kg/m2 com relação cintura-quadril elevada = 0,94), com diagnóstico de síndrome metabólica (segundo IDF): obesidade abdominal (cintura > 80 cm) + dislipidemia mista (colesterol total elevado, HDL baixo e triglicerídeos elevado) + glicemia de jejum alterada (com clínica de resistência insulínica [RI] = acantose nigricans) + elevação da PA. Apesar da história familiar de tireopatia e da tireóide estar aumentada à palpação, apresenta TSH normal.


Utilizando o escore de Framingham, a paciente é estratificada da seguinte maneira:

Entretanto, a IV Diretriz Brasileira sobre Dislipidemia 2007, reconhecendo que grande parte dos eventos coronarianos, principalmente em indivíduos mais jovens e entre as mulheres, é subestimada pelo escore de Framingham, especialmente quando em nível baixo ou intermediário, optou por utilizar outros marcadores de risco – que, quando presentes, poderiam contribuir para a identificação de uma situação de risco maior. Neste caso, os indivíduos de baixo risco, ou de risco intermediário, seriam reclassificados para uma categoria de risco imediatamente superior - para risco médio ou alto, respectivamente.
Entre os agravantes de risco, encontra-se a Síndrome Metabólica. Assim, a paciente acima apresenta um risco intermediário de infarto e morte por DAC em 10 anos. Resumindo, as metas lipídicas para ela são:

 LDL-colesterol: < 130 mg/dL
 HDL-colesterol: ≥ 50 mg/dL
 Colesterol não HDL: < 160 mg/dL
• Triglicerídeos: < 150 mg/dL
 Obs: caso confirme um diagnóstico de DM2, a paciente é estratificada como alto risco e as metas são modificadas.

Com relação à avaliação complementar:
 Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG) - a paciente possui vários fatores de risco para o DM2: glicemia de jejum alterada, história familiar de diabetes, obesidade, HAS, dislipidemia. Ainda apresenta acantose nigricans (RI) e é sedentária. Seria importante questionar sobre o peso de nascimento dos filhos (macrossomia?).

 Ultrassonografia (USG) de tireóide e anticorpos anti-TPO e anti-tireoglobulina - não é indicação formal a avaliação tireoideana. Entretanto, existem indícios de tireoidopatia, como a Tireoidite de Hashimoto.

 Hipercortisolismo: cortisol livre urinário / cortisol pós 1 mg de dexametasona - Clinicamente, a paciente apresenta somente a obesidade e a elevação da pressão arterial. As estrias são brancas e não violáceas, que seriam típicas da Síndrome de Cushing. Dessa forma, a avaliação do hipercortisolismo não é obrigatória nesta etapa da consulta.

 USG de abdome superior e dosagem de transaminases - pela história de obesidade abdominal e acantose nigricans, apresenta risco de esteatose hepática não-alcoólica (NASH). É um diagnóstico de co-morbidade importante e útil na escolha da terapia medicamentosa.

• Insulinemia e glicemia de jejum / cálculo do HOMA-R - a avaliação laboratorial da RI pelo cálculo do HOMA não é indicada na prática clínica. É útil em centros de pesquisas. Clinicamente, a paciente já apresenta acantose nigricans que indica a RI, independente do valor do HOMA-R.
Os objetivos do tratamento da paciente (considerando que o TOTG não revelou DM2) incluem:

Instituição de uma dieta saudável
• Adequar as calorias ao gasto energético
• Cálculo do VET (valor energético total) = peso ideal (IMC=25 e alt=155 cm  60 kg) X grau de atividade física (leve = 30 kcal/kg/dia) = 1800 kcal
•  Fracionamento: 5 a 6 refeições ao dia
•  Limitar gordura saturada (< 10% calorias totais)
•  Incentivar peixes, carnes magras, aves
•  Leite e derivados desnatados
•  Diminuir ácidos graxos trans (gordura hidrogenada)
•  Incrementar carboidratos complexos (grãos)
•  Incentivar verduras, legumes, frutas
•  Evitar açúcar (sacarose): utilizar adoçantes
•  Moderar consumo de sal (< 6 g/dia)
•  Limitar álcool (máximo uma dose/dia)

Incentivar a prática de exercícios físicos
 Objetivo:
 Mínimo: 30 minutos de exercício moderado 3 a 5 dias por semana
 Ideal : diariamente
• Atividade física recomendada:
 Atividade aeróbica a 40% - 60% da freqüência cardíaca máxima
 Há benefícios adicionais com atividade acima de 60%, 20 - 40 minutos, 3 a 5 dias/semana
 Treinamento de resistência com 8-10 exercícios diferentes, 10-15 repetições, 2 dias/semana
 Exercícios de flexibilidade
• Incrementar atividade física diária
Obtenção e manutenção do peso ideal
• Objetivo
 IMC 18,5 – 24,9 Kg/m2 [IMC = P (kg) ÷ altura ( m)2]
 Intervenção recomendada:
 Iniciar dieta e atividade física para atingir IMC 18,5 - 24,9 kg/m2
• Objetivo: diminuir 10% do peso no primeiro ano
• Objetivo da circunferência abdominal é ≤ 80 cm para mulheres
• Intervenção medicamentosa: A mudança de estilo de vida (MEV) pode ser instituída e reavaliada após três meses. Entretanto, a paciente apresenta um IMC de obesidade grau 2, havendo indicação do uso concomitante de medicação.
Opções terapêuticas:
• Derivados de anfetamina: apesar da idade (jovem), a paciente apresenta uma HAS leve, que pode piorar com este grupo medicamentoso.

• Orlistat: melhora perfil lipídico e glicídico, podendo diminuir a cintura abdominal (Estudo Xendos). Tem que avaliar o ritmo intestinal e a ingesta de gordura da paciente.
• Sibutramina: é a droga de escolha. Como sacietógeno, pode trazer benefícios para a paciente na perda de peso. Iniciar com 10 mg, titulando para 15 e 20 mg (máximo).
•  Rimonabanto: liberado há poucos meses no Brasil, tem a indicação para pessoas como essa paciente: obesidade com Síndrome Metabólica. Estudos (série RIO’s) mostram o benefício na melhora metabólica e na diminuição da cintura abdominal. Entretanto, a paciente apresenta um
histórico prévio de depressão. Não é uma contraindicação absoluta no caso dela, mas precisa uma avaliação psiquiátrica adequada.

Controle metabólico
• Orientação dietética para hipercolesterolemia
• Laticínios
• leite e iogurte desnatados, queijos magros
• evitar manteiga, nata e creme de leite
• Gorduras
• evitar gordura animal (ácidos graxos saturados)
• restringir gordura vegetal hidrogenada:
– entre as margarinas preferir as cremosas
• restringir alimentos ricos em colesterol
– gema de ovo
– fígado
– miolo
• usar óleo monoinsaturados
– canola
– oliva
• evitar óleo de coco e dendê
• Carnes
• carnes magras
• retirar a gordura antes de cozinhar
• preparações com pouca gordura
– grelhados
• incentivar o consumo de peixe
• evitar embutidos
– alternativa: presunto e salsicha de aves
• Carboidratos
• preferir carboidratos complexos
• aumentar o consumo de fibras solúveis
– aveia, maçã
• Legumes, verduras e frutas
• ricos em antioxidantes
• incentivar o consumo
• Produtos de panificação
• cuidar com o conteúdo de gordura hidrogenada
• Álcool
• aumenta o HDL
• não incentivar o consumo
• efeito benéfico do suco de uva
Obs1: como a paciente apresenta um risco intermediário, é possível realizar a MEV e reavaliar após três meses. Se as metas de controle não forem atingidas, existe a indicação de iniciar estatina.

Controle da pressão arterial:
• Objetivo:
• PA < 130/80 mmHg
• Intervenção Recomendada
• Mudanças do estilo de vida (MEV)
• Adicionar medicação anti-hipertensiva se o objetivo de PA não for atingido com as MEV
• Terapêutica individualizada
• Considerar doenças co-existentes

Óleo de coco: para emagrecer...Será???


Cápsulas de oléo de coco

O óleo de coco, seja na forma líquida ou na de pílula, é o emagrecedor da moda. Na forma de pílula, é ingerido duas vezes ao dia. Líquido, também pode ser ingerido ou usado no preparo de alimentos. Na Mundo Verde, uma rede de 205 lojas de produtos naturais espalhadas pelo Brasil, as vendas aumentaram 500% nos últimos 4 meses, mais do que qualquer outro produto. O frenesi não deve continuar por muito tempo. Vários alimentos, bebidas, sementes e produtos naturais caíram no esquecimento pela ausência de estudos científicos e resultados práticos que comprovassem sua eficácia. O caminho dessa nova moda parece ser o mesmo.

Saiba mais

COLESTEROL
O colesterol é importante para o organismo para sintetizar vitaminas e hormônios, mas eles não circulam livremente pelo sangue. Para fazer isso, é preciso que se juntem às lipoproteínas, como a  HDL (sigla para high density lipoproteins, ou lipoproteínas de alta densidade) e a LDL (low density lipoprotein, lipoproteínas de baixa densidade). A HDL impede que a LDL forme placas de gordura nas artérias que dão origem à aterosclerose, diminuindo ou obstruindo o fluxo sanguíneo, provocando infartos ou derrames.
ÁCIDO GRAXOS
São as moléculas que compõem a gordura, que pode ser encontrada na natureza em formato sólido (gordura) ou líquido (óleos). São formados por cadeias de carbono, que se ligam a moléculas de hidrogênios. Quanto mais ligações na molécula, mais saturada é a gordura.
GORDURA SATURADA
Aumenta o LDL no organismo, que se deposita nas artérias e eleva o risco de problemas cardíacos. Pode ser encontrada em frituras, carne vermelha e em laticínios em geral.
GORDURA INSATURADA
Diferente das saturadas, ajuda a reduzir os triglicerídeos, um tipo de gordura que em alta concentração é prejudicial, e a pressão arterial. Pode ser monoinsaturada ou poli-insaturada. Essa última pode ser, por exemplo, Ômega 3 e 6, que são os chamados ácidos graxos essenciais e são as gorduras encontradas em peixes, linhaça, castanhas e azeite.
O primeiro motivo é que nada — benefícios ou prejuízos — foi provado em relação ao óleo, o que basta para impedir que médicos responsáveis recomendem a substância como emagrecedor. Segundo Gláucia Carneiro, endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e do ambulatório de obesidade da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), as evidências científicas são insuficientes para que as pessoas contem com o óleo de coco para emagrecer.
Não há mal nenhum em usá-lo, em sua forma líquida, como substituto do óleo de origem animal ou mesmo do óleo de soja na preparação de alimentos. Ele faz parte do grupo de gorduras vegetais, mais saudável do que as animais. No entanto, é rico em gorduras saturadas. O azeite de oliva, por exemplo, tem gorduras insaturadas. Para cozinhar, tudo bem. Para emagrecer, fora de questão.

Sem comprovação — As pesquisas que encontraram tanto benefícios como malefícios no alimento não foram capazes de explicar o mecanismo envolvido. Há quem atribua ao óleo de coco a condição de um termogênico, ou seja, algo capaz de aumentar a queima de calorias no corpo. Substâncias termogênicas estão presentes no café ou no chá verde, por exemplo, mas também podem ser encontradas em suplementos alimentares. Mas, de novo, nada foi comprovado. 

Pesquisadores brasileiros da Universidade de Alagoas, em Maceió, publicaram no periódicoLipids, em 2009, um estudo sobre óleo de coco. Nele, 40 mulheres obesas de 20 a 40 anos seguiram, por 12 semanas, uma dieta com restrição calórica (menos consumo de carboidratos, mais ingestão de proteínas e fibras e semelhante consumo de gordura) e praticaram 50 minutos de caminhadas todos os dias. Metade delas ingeriu suplementos óleo de soja e as outras, de óleo de coco. Antes do início do estudo, as participantes apresentavam níveis de colesterol, índice de massa corporal (IMC) e medidas abdominais parecidas. Ao final da pesquisa, aquelas que consumiram óleo de coco apresentaram maiores níveis de HDL, o colesterol 'bom', e menores de LDL, o colesterol 'ruim', enquanto o outro grupo teve os dois tipos de colesterol aumentados. A redução do IMC foi observada nos dois grupos, embora somente o grupo do óleo de coco tenha reduzido a circunferência abdominal.

Os pesquisadores concluíram que dieta com suplemento de óleo de coco não aumenta os níveis de gordura no sangue e reduz medidas abdominais em obesos. Entretanto, eles também observaram que o suplemento pode induzir uma resistência à insulina. Os cientistas, no entanto, concluíram que outros estudos eram necessários para avaliar os efeitos do alimento a longo prazo.

Ilusão — Por causa de resultados controversos como esses, que indicam tanto benefícios quanto malefícios do óleo de coco, sem confirmar nenhum dado e estabelecendo a necessidade de novos estudos, os médicos acreditam que incluir óleo de coco na dieta como um suplemento alimentar não é seguro. "Nenhum estudo feito sobre óleo de coco tem qualidade que garanta segurança dos resultados, além de não ter sido publicado em revistas médicas de excelência", afirma Cíntia Cercato, endocrinologista da SBEM e do Hospital das Clínicas.

O endocrinologista Alfredo Halpern, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e autor do livro Pontos Para o Gordo, é mais taxativo. "O óleo de coco é uma grande enganação. É rico em gorduras saturadas, ou seja, em excesso faz mal, e não tem nenhuma dessas propriedades sobre as quais as pessoas vêm falando. É uma gordura como outra qualquer: pode ser consumida, mas também é capaz de engordar o indivíduo", afirma.
O óleo de coco não precisa ser exterminado. Ele pode substituir outras gorduras, como manteiga, óleo de girassol e azeite, na preparação de alimentos, desde que haja bom senso. "A gordura não é proibida. O ideal é que ela represente, no máximo, 30% do total de calorias que consumimos ao dia, dependendo do tamanho, do peso e do estilo de vida do indivíduo. As gorduras saturadas, porém, não devem ultrapassar 7%”, diz o endocrinologista da SBEM e chefe do grupo de obesidade do Hospital as Clínicas da Faculdade de Medicina da USP Márcio Mancini.
Mancini, porém, reafirma: para emagrecer, o óleo de coco é uma bobagem. "Quem compra essa ideia joga dinheiro fora, se ilude com um caminho fácil para a perda de peso e acaba se decepcionando."

Revista Veja - 04/03/2012.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Sobrecarga na musculação pode provocar lesões no joelho.


O joelho é a maior articulação do corpo humano, sustenta todo o nosso peso e está sempre sujeito a sofrer lesões. Por isso é preciso cuidado na hora de praticar exercícios físicos que exigem bastante das pernas.
No Bem Estar desta sexta-feira (9), os fisioterapeutas Maria Emília Mendonça e David Costa falaram sobre os riscos de lesão e explicaram como funciona o joelho. 

Segundo a fisioterapeuta Maria Emília, é importante distribuir o esforço nas diferentes articulações. Além disso, é importante exercer uma força de reação ao solo, ou seja, não apenas ficar passivamente em pé, mas levar um pouco o peso à frente para estimular a musculatura de sustentação e não apoiar-se nos ligamentos dos joelhos.

A dor que sentimos é um sinal de defesa do corpo humano já que as articulações têm células mecanorreceptoras que avisam o cérebro quando elas estão sendo exigidas demais. A principal dica dos especialistas é não fazer exercícios físicos com dor.
Arte Joelho Bem Estar (Foto: Arte/G1)
Na musculação, é indispensável a orientação profissional para não sobrecarregar a região da perna com cargas muito elevadas. Não tenha pressa para ganhar músculos, pois a sobrecarga causa o envelhecimento das articulações.
Movimentos errados, postura inadequada e falta de intervalos durante as séries pode causar diversos problemas no joelho. Os mais comuns são desgaste da cartilagem, dos meniscos, lesões nos tendões e ligamentos.

Exercícios de agachamento com as duas pernas podem forçar o ligamento, os meniscos e os tendões e a pessoa pode desenvolver tendinopatia, uma inflamação nos tendões, degeneração na cartilagem e nos meniscos. Já a cadeira extensora pode pressionar a cartilagem e também influenciar no processo de degeneração.

Carga muito pesada pode até provocar um corte no menisco, geralmente nos exercícios com agachamento de uma perna e depois a outra. Muitas vezes, há uma falha muscular durante a atividade e o peso vai todo para a região articular, sobrecarregando os ligamentos que esticam demais e se rompem.

Os flexores de joelho, que são exercícios para glúteos e músculos atrás das coxas, podem prejudicar os tendões ou inflamar a região posterior do joelho. Essa inflamação é provocada pelo líquido sinuvial, que tem a função de lubrificar a região.
Outro problema que pode atingir o joelho é a artrose, que tem início com uma lesão chamada condromalacia patelar, que afeta a cartilagem entre a patela e o fêmur. É o início do desgaste da cartilagem. Essa patologia pode acontecer após exercícios feitos de forma inadequada, deficiência congênita e sobrecarga, mas também tem um fator genético - algumas pessoas nascem com a cartilagem mole, por exemplo. A condromalacia provoca dor, inchaço e limitações de movimentos.

Esse desgaste da cartilagem é o maior problema que o sobrepeso pode causar ao joelho e, depois da condromalacia, pode avançar para a artrose, se não houver mudanças de hábito.

Para proteger os joelhos, é importante fortalecer os músculos das pernas, do quadril, do abdômen e da lombar. Mas cuidado com esportes como futebol, tênis, vôlei e hóquei, que oferecem maior risco de lesões.

Os médicos explicam que a lesão mais comum é causada pela mudança brusca de direção, ou seja, quando o jogador que está correndo precisa parar rapidamente para mudar de sentido. Nesse movimento, o joelho sofre uma torção e os ligamentos podem se romper. É muito comum acontecer com jogadores de futebol. Depois de rompidos, os ligamentos só são recuperados com enxerto, pois não podem ser costurado como a pele.

Mulheres também devem tomar cuidado com sapatos. Usar um sapato baixo após um dia inteiro com salto alto força a coluna e sobrecarrega o quadril e os joelhos. O salto alto faz com que os joelhos fiquem hiperestendidos, além de prejudicar o equilíbrio do corpo.

Os pés ajudam a equilibrar o corpo e a tirar a sobrecarga da ação da gravidade sobre os joelhos. O apoio correto e a boa mobilidade dos tornozelos é fundamental para melhorar a distribuição do peso do corpo e evitar uma sobrecarga nos joelhos já que os pés bem posicionados amortecem o peso do corpo.

Lesões nos tendões, como a tendinite, exigem repouso e antiinflamatório porque o tendão demora a se curar. Veja abaixo o resultado da enquete feita no nosso site:

Gelo é a primeira medida a se tomar após entorse de tornozelo!


Todo mundo está sujeito a torcer o pé. Pode acontecer durante uma caminhada normal, basta ter um buraco na calçada, a pessoa pisa torto, força o tornozelo e... pronto! A região fica inchada, dolorida, e os ligamentos sofrem lesões que podem ficar para sempre.
Em uma enquete feita pelo site do Bem Estar, os buracos foram eleitos como os principais culpados pelas torções, com 23% dos votos, seguidos pelo salto alto (18%) e pelos esportes (17%).
O preparador físico José Rubens D’Elia e o ortopedista Caio Nery foram os convidados do Bem Estar desta sexta-feira (30) e explicaram o que são as torções e o que elas causam. Abaixo, você vê que a torção pode ocorrer em todas as articulações do corpo e entende por que o tornozelo é quem fica mais exposto ao risco.
arte bem estar torções (Foto: arte / G1)
Em outras palavras, a torção é um movimento anormal dos ossos que provoca lesão do ligamento. É menos grave que a luxação, que outro tipo de machucado da articulação. Na luxação, o ligamento se rompe e a articulação sai totalmente do lugar. É preciso um profissional para reposicionar a articulação, muitas vezes com a anestesia.
As torções podem vir a provocar também fraturas, que são lesões do tecido ósseo. Quando ocorre uma fratura, o osso literalmente é quebrado. Isto acontece por que uma força muito grande age sobre ele – o que pode acontecer em uma torção.
O que fazer
A primeira atitude a ser tomada após uma torção de tornozelo é retirar o calçado para afrouxar a área. A região vai ficar inchada e avermelhada, e a melhor maneira de reduzir o inchaço é com gelo. Com o frio, os vasos sanguíneos ficam mais estreitos, o que reduz o sangramento interno do ferimento e, portanto, o inchaço.
O ideal é colocar compressas de gelo, de dez minutos cada, a cada dez minutos. É importante respeitar este intervalo para proteger a pele e as articulações. Para a pele, aliás, também é bom envolver o gelo em algum tecido. Compressas quentes são péssimas, pois pioram o inchaço.
Estes são apenas os primeiros socorros, pois é necessário seguir logo para uma consulta médica. A região machucada deve ser bem protegida no processo. No caso do tornozelo, não se deve pôr o pé no chão.
O especialista vai avaliar o inchaço para ver se o ligamento pode estar lesionado ou se houve fratura. Em muitos casos, ele vai pedir exames de radiografia – para verificar os ossos – e ressonância magnética – que mostra se os ligamentos estão bem.
A recuperação dos ligamentos é lenta e depende do tipo de lesão. Primeiro, a área fica inflamada, o que em média demora três dias. Depois, o ligamento começa a reconstruir as fibras, alinhando-as corretamente. Nesta fase, que pode durar até um mês e meio, é importante manter a articulação imobilizada. Por fim, o ligamento leva até um ano para voltar ao que era antes da contusão.
É importante respeitar os prazos de recuperação para que o tornozelo fique forte. Quando os ligamentos não cicatrizam direito, pode ocorrer um quadro conhecido como instabilidade crônica, que provoca novas torções ao longo do tempo.
Exercícios
Alguns exercícios podem deixar o pé mais "inteligente" e prevenido contra as torções. Os pés precisam de estímulo. Uma pessoa sedentária, que não tem o costume de andar em terrenos acidentados, terá mais chances de torcer o pé do que alguém que está acostumado a pisar na areia ou praticar esporte.
Os exercícios de alongamento são importantes porque garantem a elasticidade dos músculos, tendões e ligamentos, de forma que sua resposta se torna mais sincronizada e segura. Quando ocorre torção, as estruturas alongadas e saudáveis estão mais capacitadas para se adaptar às condições extremas. Por isso, tem maiores chances de evitar lesões do que as estruturas "fora de forma".
Abaixo, listamos alguns dos exercícios recomendados pelos convidados do Bem Estar:
- Bate o pé: sentado, o movimento é de levantar e abaixar a ponta do pé como se estivesse batendo a parte da frente do pé. Este exercício trabalha principalmente o músculo tibial anterior, que fica na canela e é um dos responsáveis pela formação do arco plantar e pelo movimento de elevação da parte anterior do pé.
- Fortalecimento de eversores: sentado ao lado da parede com uma bola, o pé fará um movimento como se estivesse “dando tchau". O objetivo é empurrar a bola contra a parede com a parte lateral do pé. Este exercício fortalece os músculos eversores do tornozelo, gerando maior estabilidade e tentando evitar a torção.
- Andar na linha: caminhar em cima de uma linha com um pé na frente do outro. O objetivo deste exercício é melhorar o equilíbrio.
- Andar com a ponta do pé para cima: caminhar com a ponta do pé para cima em linha reta. O objetivo deste exercício é melhorar o equilíbrio associado à contração isométrica do músculo tibial anterior.
- Andar no colchão: caminhar em um colchão espesso, pode ser o de uma cama. O objetivo deste exercício é caminhar em um solo instável para gerar mais estabilidade para o tornozelo e melhorar o equilíbrio.

Futuras mães fazem exercícios com supervisão de 'personal gestante'



Para reforçar a opinião de que gravidez não é doença e pode, sim, incluir uma atividade física, um novo profissional surgiu no mercado: o "personal gestante". Especializada nessa área, a professora Gizele Monteiro trabalha desde 2006 em São Paulo com futuras mães e mulheres no pós-parto. Hoje ela não dá mais aulas, mas coordena uma equipe de 70 pessoas, que atuam em outras seis capitais e até em Portugal, na casa de clientes e em academias.
“Controlo a temperatura e a frequência cardíaca delas. A primeira deve ficar em até 38,5° C e a segunda, em 70% do limite máximo ou 140 batimentos por minuto”, afirma. Cada aula custa cerca de R$ 100, mas há pacotes especiais para grupos e períodos prolongados.
Meu objetivo é mudar o conceito de que grávida só pode fazer hidroginástica. Nossas alunas praticam caminhadas, musculação, alongamento, trabalho postural, ioga e pilates adaptados”, cita Gizele, que lembra que a gestante deve sempre passar por uma avaliação médica antes de iniciar a atividade.
As mulheres atendidas pelo personal gestante se exercitam de duas a três vezes por semana, entre 45 minutos e 1 hora. Com isso, evitam dores nas costas, fortalecem as pernas para aguentar o peso do corpo e os braços para segurar o bebê, aumentam a disposição e previnem até a depressão pós-parto.
A gerente de sistemas Daniela Calaes, de 35 anos, é uma das alunas da professora Melissa Cirello, da equipe de Gizele. Grávida de oito meses de Leonardo, ela se exercita há três, com aulas três vezes por semana que incluem uma parte aeróbica, na esteira, musculação e hidroginástica na piscina do prédio onde mora.
Gizele personal valendo (Foto: Arquivo pessoal)
"Com a facilidade de virem até a minha casa, não tem desculpa para a preguiça, apenas abro a porta quando toca a campainha. Engordei além do esperado no começo da gestação e, com a atividade, dei uma segurada no peso. Também aumentei minha disposição, não sinto sono nem dores, me sinto mais bonita e até esqueço de que estou grávida", conta Daniela, que ganhou 11 kg ao todo, passando de 53 kg para 64 kg, em 1,61 m de altura. Ela pretende fazer parto normal e também usa o exercício para se preparar para esse momento.
Segundo o educador físico Mauro Guiselini, exercícios cansativos como corridas, saltos, vôlei e basquete podem elevar a pressão arterial, o risco de aborto nos três primeiros meses e o de parto prematuro. Por isso, é importante fazer um check-up durante e depois da gravidez. Ao menor sinal de dor ou falta de ar, deve-se interromper a atividade.
A intensidade do exercício deve ser compatível com condicionamento físico da gestante. O ideal são movimentos leves a moderados,
de baixo impacto"
Mauro Guiselini,
educador físico
“A intensidade deve ser compatível com o condicionamento físico da gestante. O ideal são movimentos leves a moderados, de baixo impacto. Devem-se evitar altas cargas na musculação e alongamentos com grandes amplitudes, que chegam ao limite das articulações”, alerta Guiselini.
Esse é, portanto, um período mais de manutenção que de ganhos, e a dança pode ser uma ótima opção, de acordo com o educador. Se a mulher ficar mais de quatro meses sem se exercitar, porém, já será considerada sedentária e precisará recomeçar aos poucos, com paciência para voltar à carga anterior à gestação.
Continuar ativa inclusive durante a gravidez pode evitar um considerável ganho de peso, que muitas vezes persiste pelo resto da vida. Segundo o endocrinologista Alfredo Halpern, a gestação pode ser o limite para uma mulher ficar com sobrepeso ou se tornar obesa para sempre. Por isso, o médico indica que a mulher se segure, mas não demais, para que o bebê não nasça nem muito gordo nem muito magro. “Os dois extremos podem favorecer a obesidade da criança na vida adulta”, diz.
O que muda
durante a  gravidez?
Por quê?
EstriasSurgem por uma ruptura das fibras de colágeno da pele, que se distende muito nessa fase. Não ganhar peso demais e hidratar bem a região com cremes (sem ureia) e óleos ajudam.
CelulitePiora com as alterações hormonais da gestação e com a retenção de líquido que pode ocorrer. Para amenizar, existe a drenagem linfática, mas grávidas só podem fazer nas pernas.
InchaçoÉ causado pelo excesso de sal na alimentação ou pelo ganho exagerado de peso.
Gases e prisão de ventrePodem ocorrer por alterações hormonais, que deixam o intestino mais preguiçoso. Aumente a ingestão de fibras em caso de prisão de ventre e evite alimentos que dão gases.
EnjooÉ mais comum no primeiro trimestre de gravidez, por ação hormonal e porque a digestão fica mais lenta. Também pode ocorrer ao longo dos nove meses porque o bebê pressiona os órgãos abdominais, inclusive o estômago.
PelePode melhorar e ficar com mais brilho, mas também manchar mais, pela ação dos hormônios femininos (estrógeno e progesterona). Pintas, mamilos e a linha do umbigo também podem escurecer. Use protetor solar com no mínimo FPS 30. Outro problema é para a mulher que tem ovários policísticos e controla o problema com pílula. Parando de tomar, a acne volta. E é proibido tomar isotretinoína durante a gravidez.
CabeloEm geral, melhora no período gestacional e costuma cair dois ou três meses após o parto, por uma ação hormonal. Depois, nasce saudável de novo. Um alerta importante é que não se deve aplicar nenhuma tintura ou alisante ao longo dos nove meses.
Dor nas costasPor uma mudança na posição corporal, que puxa a barriga para a frente, e pelo excesso de peso do ventre, a futura mãe pode sentir dor na coluna. Fazer reeducação postural, natação, caminhadas, ioga e massagens podem amenizar o incômodo.
Incontinência urináriaO aumento do útero comprime a bexiga, que muda de posição, e torna difícil segurar o xixi por muito tempo.
Problemas respiratóriosBronquite, asma e alergias nas vias aéreas podem aliviar ou piorar durante a gravidez, porque o diafragma muda de posição e a mulher respira de forma diferente. Por outro lado, pode haver mais falta de ar. Doenças autoimunes também tendem a melhorar nessa fase.
LibidoÉ um problema tanto de ordem emocional como hormonal. Na gestação, a mulher se direciona mais para o bebê e pode ficar com medo de abortar se fizer sexo. Mas também há grávidas que relaxam mais nesse período e melhoram a relação com o parceiro, porque não precisam se preocupar com o período fértil.
Estado emocionalA mulher costuma ficar mais radiante e feliz durante a gravidez, mas também há o risco de depressão pós-parto.
No caso da gaúcha Queila dos Santos, de 28 anos, engravidar por duas vezes significou, além da experiência única de ser mãe, saltar da faixa do sobrepeso para a da obesidade.
Antes de esperar as filhas Queisy, de 10 anos, e Bianca, de 4, a funcionária de uma empresa de computadores em Porto Alegre pesava 70 kg. Hoje, tem 102 kg, em 1,58 m de altura.
“Sou muito ansiosa, belisquei demais na gestação. Na primeira, engordei 30 kg e, na seguinte, foram 26 kg”, conta Queila. Nessa segunda experiência, ela jura que tentou manter hábitos mais saudáveis, mas na balança pouca coisa mudou.
Equilíbrio na gravidez
Casos como o de Queila são extremamente comuns e alvo de grande preocupação entre as mulheres, que muitas vezes desejam ter mais filhos, mas temem mudar a forma ou acabam fazendo regimes com restrição calórica durante a gestação e o aleitamento, o que é condenado por médicos e nutricionistas.
“Não se recomenda dieta para grávidas nem lactantes, mas equilíbrio. A favor, a mulher tem um gasto diário de pelo menos 500 calorias durante a amamentação”, explica a nutricionista Rosana Raele, do Hospital Israelita Albert Einstein.
Se a gestante resolve emagrecer ao longo dos nove meses e logo após dar à luz, a criança pode ter um crescimento inadequado, porque a mãe funciona como um vetor de nutrientes, como proteínas animais e vegetais, ferro e cálcio, necessários para a formação dos músculos, sangue e ossos, respectivamente.
Caso a mãe tenha uma ingestão inadequada dessas substâncias, pode haver prejuízos para ela mesma, já que o bebê costuma sugar o que existe no corpo da mulher. “A criança sempre ‘rouba’ o que precisa”, diz a ginecologista e obstetra Ceci Lopes, do Hospital das Clínicas em São Paulo.
Segundo a médica, o aumento de peso na gravidez é individual e depende do patamar inicial. Em geral, a faixa considerada saudável varia de 9 kg a 12 kg, ou seja, ganhar entre 1 kg e 1,5 kg por mês. Portanto, não vale comer por dois.
Priscila (Foto: Arquivo pessoal)A administradora Priscila Rocha, de Santos (SP), engordou 14 kg na gravidez de Miguel, mas voltou ao peso normal em apenas um mês. Após um ano do parto, ela continua amamentando o filho (Foto: Arquivo pessoal)
“Devemos considerar que um bebê normal pesa de 2,5 kg a 3,5 kg. O líquido amniótico tem até 1,5 l, o útero com a placenta e tudo o mais pesa até 1,5 kg, e há no máximo 3 kg por retenção de líquidos e inchaço. Isso tudo dá cerca de 10 kg – o resto vai para a mulher”, contabiliza Ceci.
Além de aumentar a ingestão de frutas, verduras, legumes, fibras e vitaminas, a grávida e a lactante precisam tomar muita água e líquidos em geral. Se não quiserem engordar muito, também devem controlar a quantidade de doces, carboidratos e gorduras na alimentação.
Comer demais vira compensação por dormir mal, estar cansada. A dica é fazer lanches saudáveis nos horários certos"
Mônica Beyruti,
nutricionista
A nutricionista Mônica Beyruti reforça que o maior perigo para as mães que passam muito tempo em casa nesse período são as tentações e as “beliscadinhas” várias vezes por dia.
“Comer demais vira uma compensação por dormir mal, estar cansada. Por isso, é importante programar as refeições e prestar atenção ao que se está comendo. A dica é fazer lanches saudáveis nos horários certos”, destaca.
A partir do quarto mês após o parto, de acordo com Mônica, a mulher pode procurar um nutricionista ou médico para obter uma orientação mais adequada.
Denise (Foto: Arquivo pessoal)A pediatra Denise Lellis está grávida de nove meses de Mariana, a quem dará à luz na próxima segunda (14), logo após o Dia das Mães, data em que passará com o filho Miguel (dir.) e o marido (Foto: Arquivo pessoal)
Bons exemplos 
A administradora Priscila Rocha, de 32 anos, ganhou Miguel há 1 ano e 1 mês. Engordou 14 kg na gravidez e um mês após o parto retornou ao peso anterior: 60 kg, em 1,80 m de altura.
“Consumi muitas frutas, legumes, sucos e água. Não tomei refrigerante e só comi doces uma vez ou outra. Também fazia caminhadas e amamentei exclusivamente por seis meses”, lembra a moradora de Santos (SP), que sempre foi magra, mas hoje se alimenta melhor, porque acaba ingerindo o mesmo que prepara para o filho.
Miguel continua mamando, e algo que também ajudou a mãe a emagrecer foi viver correndo atrás dele depois que aprendeu a andar.
A favor, a mulher tem um gasto diário de pelo menos 500 calorias durante a amamentação"
 
Rosana Raele,
nutricionista
Outra história a ser seguida é a da pediatra Denise Lellis, de 36 anos, que está no último mês de gravidez de Mariana, a quem dará à luz na próxima segunda-feira (14), logo depois do Dia das Mães. A médica já é mãe de Miguel, de 1 ano e meio, e engordou 12,5 kg nas duas gestações.
“Nos dez primeiros dias após o parto dele, com a amamentação, perdi 7 kg. Logo voltei para o peso normal: 53 kg em 1,65 m de altura”, diz.
Denise conta que sempre manteve uma alimentação saudável e não fez grandes alterações nessa fase. A única mudança maior foi se regrar a comer de 3h em 3h. Ela não se exercitou durante a gestação, porque já não fazia isso antes e, segundo acredita, uma mulher sedentária não pode virar atleta quando engravida.
O que a pediatra realmente ganhou, além do amor de mãe, foi mais maturidade na profissão. “A experiência da maternidade é sem igual e vale muito mais do que uma faculdade no que diz respeito a se colocar no lugar das mães, saber de fato o que elas estão sentindo, as dificuldades na amamentação, as cólicas do bebê. Entendi a necessidade que as pacientes têm de ligar e, por isso, me tornei mais disponível”, revela.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Cresce o número de idosos com obesidade sarcopênica!


 



A obesidade sarcopênica, caracterizada pela baixa quantidade de massa muscular em pessoas com excesso de gordura, tem aumentado na população idosa. Segundo o último Censo do IBGE (2010), a terceira idade é a que mais tem crescido no País, com um contingente de quase 15 milhões de pessoas com mais de 60 anos, sendo as mulheres a maioria, com 8,9 milhões. 

Em menos de duas décadas, estima-se que a terceira idade representará quase 13% dos brasileiros. Rio de Janeiro e Porto Alegre são as capitais com maior número de idosos, respectivamente 12,8% e 11,8%, enquanto no norte do País, em Boa Vista e Palmas, o percentual é de 3,8% e 2,7%.

Além do próprio processo de envelhecimento, a obesidade sarcopênica pode ser desenvolvida precocemente, devido aos padrões alimentares inadequados, sedentarismo, doenças crônicas e tratamentos medicamentosos.

Atualmente, diversos estudos têm mostrado que o problema representa uma condição negativa para a saúde do idoso, devido ao aumento do risco de quedas e fraturas, diminuição da capacidade de realizar atividades da vida diária, perda de independência, além de estar associada com aumento da mortalidade.

E essa preocupação será um dos temas discutidos durante o 18º Congresso Brasileiro de Geriatria e Gerontologia (CBGG 2012), que acontece entre 22 e 25 de maio, no Rio de Janeiro. O evento é considerado o maior encontro de especialistas em saúde na terceira idade e deve reunir mais de 3 mil pessoas, tendo como tema central “Envelhecimento - Oportunidades, desafios e conquistas”.

A gerontóloga e nutricionista Myrian Najas explica que o idoso obeso sarcopênico é um indivíduo que não pode ter um tratamento com base apenas no fato de ele estar acima do peso. Segundo ela, a atenção à saúde dos idosos obesos no País ainda é precária. Tanto médicos quanto a população ainda desconhecem a doença e a tratam apenas como obesidade, “com dietas para emagrecimento que, muitas vezes, diminuem a ingestão de proteína, fundamental para a manutenção da massa muscular”, explica.

Entre os riscos de saúde causados pela perda de massa muscular no idoso com sobrepeso está o comprometimento da mobilidade até quedas seguidas de fraturas. Myrian alerta que o quadro pode se agravar quando associado a outras doenças, como diabetes e hipertensão arterial, podendo levar até à morte.

Para auxiliar na prevenção da enfermidade, a gerontóloga recomenda que seja seguido o projeto “10 passos de uma alimentação saudável”, do Ministério da Saúde, mas destaca que ainda não existe nenhuma iniciativa governamental específica para a dieta do idoso.

De acordo com a presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), Silvia Regina Mendes Pereira, ainda não há levantamento do número de sarcopênicos no Brasil. Segundo ela, é fundamental desenvolver um programa de rastreamento destes doentes para tratá-los de forma adequada.

“O paciente sarcopênico com obesidade associada tem uma dificuldade maior para fazer as atividades do dia a dia, e a recuperação da massa muscular também é mais lenta”, diz o geriatra André Kioshi Priante Kayano, especialista pela SBGG e o Núcleo de Estudos Clínicos em Sarcopenia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

A prática regular de atividade física irá garantir um ganho de massa muscular e uma reserva para minimizar os efeitos no futuro. Hábitos de vida saudáveis, que incluem alimentação balanceada, nutritiva e de acordo com as necessidades de cada organismo, atividades ao ar livre e contato com a natureza, não ter vícios (álcool, cigarro e outras drogas), envolvimento em atividades sociais prazerosas e construtivas, controle do estresse e estímulo do cérebro com atividades intelectuais (teatro, cinema, leitura) também podem ajudar na prevenção da obesidade sarcopênica.

“O consumo de proteínas também merece atenção”, explica Kayano. Os idosos geralmente ingerem menos proteína e essa redução, juntamente com o sedentarismo, está associada a uma piora mais acelerada de massa muscular. “A pessoa que ingere proteína e faz atividade física pode até ganhar massa muscular, independente da idade”, diz. 


Serviço

18º Congresso de Geriatria e Gerontologia. De 22 a 25 de maio, no Centro de Convenções Sul América – Rio de Janeiro – RJ. Programação: www.cbgg2012.com.br.

Mesa redonda “Obesidade na terceira idade”. Dia 24 de maio, das 10h30 às 12 horas. Conferência Internacional “Sarcopenia e a resistência à insulina – estudo NuAge Quebec”. Dia 24 de maio, das 12 horas às 12h30




terça-feira, 22 de maio de 2012

ÓLEO DE COCO EMAGRECE MESMO?


 

Se tem um óleo que pode ser considerado o queridinho do momento, é o de coco extravirgem. Extraído do fruto maduro, ele virou febre principalmente entre aqueles que desejam se livrar de vez das dobras que teimam em se espalhar por diversas partes do corpo. 

Para pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a UFRJ, todo esse auê é compreensível. Eles prescreveram uma dieta de manutenção de peso a 30 homens com um grau de obesidade leve. Enquanto metade consumiu 1 colher de sopa cheia de óleo de coco todo santo dia, a outra teve de engolir óleo de soja, na mesma porção. 

Em 45 dias, o resultado agradou: apesar de o óleo proveniente da fruta ser cheio de gordura saturada e calorias, ele ajudou a reduzir o índice de massa corporal, o volume de gordura e a circunferência na cintura de quem o incorporou à dieta. Além disso, contribuiu para o aumento de massa magra, ou seja, músculo puro. "Há o caso de um paciente que perdeu cerca de 7 quilos", revela a nutricionista Christine Erika Vogel, uma das responsáveis pela investigação. 

De acordo com a especialista, o óleo auxiliaria no emagrecimento porque carrega um tipo de gordura conhecido como triglicerídeo de cadeia média, com destaque para o ácido láurico. E esse tal de ácido láurico gera energia na célula de forma acelerada. "As outras versões precisam de uma enzima para realizar esse processo, acumulando-se mais facilmente na forma de gordura corporal", explica. Na prática, o óleo de coco turbinaria o gasto energético, favorecendo, assim, a degola dos pneus. 

As qualidades desse derivado do coco não se resumem à sua capacidade de botar lenha no metabolismo. "Assim como outros óleos e gorduras, o produto derivado da fruta retarda o tempo de esvaziamento gástrico, proporcionando maior sensação de saciedade", diz a nutricionista Andréia Naves, que é diretora da VP Consultoria Nutricional, em São Paulo. 

Dessa forma, a quantidade de comida que vai ao prato ao longo do dia tende a ser menor - seria o fim dos ataques desenfreados de gula sem tanto sacrifício. "Aliado a uma alimentação equilibrada e à prática regular de atividade física, esse efeito auxiliaria no emagrecimento", avalia Andréia. 

Para Ana Carolina Gagliardi, nutricionista do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas de São Paulo, o Incor, não há dúvidas sobre o poder das gorduras em deixar a barriga empanturrada. "Ainda assim, o papel do óleo de coco no processo de perda de peso é muito controverso", pondera. "É que as pessoas que o consumiram durante os estudos também seguiram uma dieta com restrição de calorias. Por si só, isso já torna o emagrecimento presumível." 

"Realmente, não adianta ingerir o óleo de coco e exagerar nos salgados, nas frituras e nos doces. Não há milagres. Para emagrecer, é preciso mudar o estilo de vida", concorda Christine, pesquisadora da UFRJ. Só para constar, cada grama de óleo de coco reúne 9 calorias. Portanto, incorporá-lo à dieta sem providenciar mudanças no restante do cardápio não fará com que o ponteiro da balança tombe. 

"A recomendação é que 25 a 30% de nossa alimentação seja composta de gorduras, sendo que no máximo 7% devem vir das saturadas, como as presentes no óleo de coco. Então, quem usar o ingrediente precisa investir em alterações na rotina, como preferir carne magra e tomar leite desnatado", avisa a nutricionista Ana Carolina.

Extravirgem ou refinado? 
Se bater a dúvida, opte pelo primeiro sem pestanejar. "A versão extravirgem é obtida da carne do coco maduro, que pode ser fresco ou seco", conta Bruna Murta, nutricionista da rede Mundo Verde, em São Paulo. "Nesse processo, não são empregados solventes químicos nem altas temperaturas. "Por outro lado, o produto refinado, ou virgem, apresenta perda de uma parte dos antioxidantes. "Por isso, seus benefícios são comprometidos", conclui Bruna.

Polêmica à vista 
Além do aspecto da saciedade, os outros benefícios relacionados ao óleo de coco não são vistos com tanta empolgação por uma boa parte de especialistas, já que o fato de ser formado por gorduras saturadas do tipo triglicerídeo de cadeia média não é considerado exatamente uma grande vantagem. 

"De fato, eles são processados com maior rapidez. Mas gerar energia não é o mesmo que dissipá-la como calor", informa Rosana Radominski, endocrinologista e presidente do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. "Ela pode ser usada para ajudar a acumular gordura no corpo, caso a ingestão calórica seja maior do que o gasto." 

O também endocrinologista Alfredo Halpern, do Hospital das Clínicas de São Paulo e autor do livro A Nova Dieta dos Pontos para Crianças e Adolescentes, recém-lançado por SAÚDE, vai na mesma toada: "Talvez a gordura saturada de cadeia média possa fazer menos mal do que a de cadeia longa. Daí a dizer que emagrece é absurdo. Ela engorda tanto quanto as outras". 

É bom frisar que rechear a mesa com alimentos gordurosos merece atenção redobrada não só porque dispara o risco de obesidade, epidemia que está por trás de uma série de doenças - de males cardiovasculares a câncer. A digestão vagarosa, por exemplo, pode ser um problema para certas pessoas. "Uma dieta rica em gordura é capaz de piorar os sintomas de quem já sofre com um processo digestivo mais lento ou tem histórico de refluxo", conta o gastroenterologista Ricardo Barbuti, que integra a Federação Brasileira de Gastroenterologia. 

Outro grupo que deve pensar duas vezes antes de regar sem pudor os pratos com óleo de coco é o de pacientes diagnosticados com esteatose hepática, quando o fígado entra num processo de engorda. "Devido à sua composição, o alimento pode aumentar a dimensão do problema", esclarece a nutricionista Andréia Naves.

Camuflado no prato
Não tem jeito: nem todo mundo é fã do sabor pronunciado da fruta. Se for desse time, anote a dica: "Antes de refogar os alimentos, deixe o óleo por mais tempo em fogo brando para que o aroma se dissipe", aconselha a nutricionista Christine Erika Vogel, da UFRJ. Caso queira temperar saladas, o óleo pode ser misturado ao azeite. Já em pratos com peixes e frutos do mar, seu sabor entra como um excelente complemento.

E o coração? 
Além de notar a redução de peso dos voluntários, os cientistas da UFRJ encontraram evidências de que o óleo de coco extravirgem ajudou a elevar as taxas do HDL, o bom colesterol, e freou o desenvolvimento do LDL, um algoz do peito. "Alguns estudos já demonstraram que os triglicerídeos de cadeia média reduzem a produção de uma lipoproteína chamada VLDL, associada ao aumento do LDL", lembra a pesquisadora Christine. 

Mas está aí outro tema que incita um acalorado debate. É que a gordura saturada, independentemente de ser de cadeia média ou longa, é reconhecida por aumentar os dois tipos de colesterol, especialmente aquele que ameaça a saúde. "Logo, o óleo de coco não é indicado nem para prevenir nem para tratar doenças cardiovasculares. Pior do que esse tipo de gordura, só a trans, já que estimula a produção de LDL e reduz o HDL", adverte Ana Carolina, do Incor. 

Justamente por suscitar dados contraditórios, não é de surpreender que os especialistas concordem em um ponto: é preciso colocar o óleo de coco no centro de outros estudos antes de considerá-lo a última palavra no que diz respeito ao emagrecimento. "Outras variáveis devem ser investigadas e mais pesquisas são necessárias para corroborar a tese de que ele é mesmo um aliado da boa forma", diz Mariana Del Bosco, nutricionista da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica. 

Agora, quem quiser testar seus efeitos pró-emagrecimento antes que os pesquisadores batam o martelo deve se restringir a 2 colheres de sopa diárias. "Comece consumindo uma quantidade pequena para evitar desconfortos gastrointestinais como náuseas, cólicas e diarreia", indica Bruna Murta, nutricionista da rede Mundo Verde, na capital paulista. 

As doses caem bem antes das principais refeições - para estimular logo a saciedade - ou adicionadas a saladas, pratos quentes, molhos, massas, sucos e shakes. Caso opte pelas cápsulas, saiba que são necessárias 12 delas para conquistar os possíveis efeitos de 1 colher de sopa do óleo de coco. Você decide.

Superbadalados 
Os óleos que têm se tornado cada vez mais célebres por suas diversas propriedades nutricionais:

Óleo de coco extravirgem

É rico em triglicerídeos de cadeia média, gorduras saturadas de rápida digestão. Por isso, ele teria o poder de gerar energia e favorecer o emagrecimento.

Óleo de canola

Guarda boas doses de gordura monoinsaturada e também de ômega-3. Mas alguns questionam seu uso por causa da origem transgênica. Pode ser radicalismo.

Óleo de linhaça

É famoso por ter muito ômega-3 e atuar como antioxidante e anti-inflamatório. Está associado a menor risco de diabete tipo 2, complicações cardiovasculares, doenças neurológicas, câncer.

Óleo de cártamo

Fonte de ácido linoleico, contribuiria para a quebra das células gordurosas. É considerado mais eficiente quando combinado a exercícios aeróbicos e dieta equilibrada.

Azeite de oliva extravirgem

Reúne gordura monoinsaturada, conhecida por reduzir o colesterol ruim e aumentar o bom, além de barrar processos inflamatórios e evitar doenças crônicas e degenerativas.